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Publicidade in Boletim da Comissão de Iniciativa da Figueira da Foz, nº 4 de 1 de Agosto de 1927.
O Largo do Carvão ainda hoje existe. O que já não existe é o Costa e & C.ª. Também a vender o que vendeu, hoje poucos lhe comprariam. Ora veja-se, o tabaco pela "hora da morte" perseguido e vilipendiado, os objectos para fumadores são crime "lesa - mundo". A papelaria...bem, ainda há...quem compre. Quinquilharias... passou a propriedade de outros povos. Objectos para "escriptório" ainda se safava...os livros em branco...estou a ver...serviriam para apontar...os "calotes", talvez. Livros "de leitura" ? Boa senhor Costa, apostaria você em que tipo de literatura, nessa época? De cordel ou de coração...vá-se lá saber...mas imaginemos o senhor Costa, a vender livros, o que já não era nada mau, no Largo do Carvão.
Ah...! Brinquedos para "creança"... que montra, senhor Costa! De certeza que teria tido muitas "creanças" de nariz coladinho à sua montra...então nesse Natal de 1927... que coisas lindas senhor Costa!
- Ó mãe compra-me aquele cavalinho de pau! Sim, aquele com rabo de cordel!
- Anda, vamos embora, que se faz noite, João! A mãe "ósdepois" compra-te tudo!
- Tudo mesmo, mãe?
- Sim João, anda...
Ah ! E vendia também "bilhetes de visita", como quem diz, sou fulano de tal, engenheiro hidrográfico nas obras (intermináveis) da "Barra" ou outras coisas semelhantes, só para gente importante.
Mas que inebriante mistura senhor Costa! Vinhos finos e "cognacs" com os principais bancos do país...(deixe lá senhor Costa, em 2007 a Banca também compra e vende vinhos finos e "cognacs"!).
-Pois é menino...há que ganhar a vida...e os tempos estão dificeís...não leu...por acaso... ainda só vai para nove anos...só há nove anos... acabou aquela malvada Grande Guerra...
E, ficou-se por ali o senhor Costa, encostado ao balcão, da sua loja no Largo do Carvão.

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