Lisboa, capital do reino e a cor dos dias

Não sei se dá para entender, mas a figura representa uma fossa séptica. Não vou divagar sobre o possível da sua utilidade. Não sou entendido sobre engenharia séptica, embora lhe reconheça as funções e as virtualidades.
A esta hora perguntam sobre o porquê de tão estranho objecto, aqui colocado pelo escriba do blog.
A razão é comezinha e contada em meia dúzia de linhas.
Lia eu, por um destes dias, certo livro de crónicas de António Alçada Baptista. A páginas tantas surge esta pequena história , deliciosa, que resolvo partilhar.
O relato é o que se segue:
" O meu sogro era amigo do Eng.º Quirino da Fonseca que foi presidente da Câmara de Lisboa. Ele contou-me que um homem comprou uma pequena casa aqui em Lisboa, mas fora da área dos esgotos. Foi intimado pela Câmara a fazer uma fossa. O pior é que a fossa foi reprovada e ele teve que fazer as correcções que lhe foram exigidas. Quando fez as contas reparou que tinha gasto mais dinheiro na fossa do que na casa. Então fez um requerimento ao presidente da Câmara, onde explicou a sua situação. E terminou o requerimento:«Em vista do exposto, venho requerer a V. Ex.ª se digne autorizar o requerente a viver na fossa e a cagar na casa.
Espera diferimento.»
Tudo isto a propósito da Capital do Reino, e mais não digo.
Baptista, António Alçada, A cor dos dias. Memórias e peregrinações, Lisboa, Editorial Presença, 2ª Edição, p. (descubram por vocês mesmos aproveitando para ler o livrinho de "fio a pavio")
Tenham um Bom Dia.

1 comentários:
Que "estória" deliciosa... E não é que Lisboa não consegue sair da fossa!!!!...
Um abraço
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